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quinta-feira, 25 de abril de 2024

"Desmistificando o Socialismo Iraniano: Democracia, Religião e Economia em Perspectiva"

 


Vamos discutir sobre o socialismo iraniano. A primeira questão é o socialismo islâmico. O Irã é frequentemente rotulado como uma ditadura, mas na verdade é uma democracia. Apesar das eleições não serem totalmente livres, as pessoas têm o direito de escolher seu presidente. Porém, assim como em muitas democracias ocidentais, o governo iraniano também está sujeito a influências externas, como o controle dos bancos e a vigilância da mídia.

Quanto ao uso da polícia política, é importante entender que em todas as democracias burguesas, a polícia é um instrumento de repressão do Estado, não de proteção dos cidadãos. Basta observar como a polícia age em manifestações como os coletes amarelos na França ou em comunidades marginalizadas no Brasil. No entanto, muitas vezes os críticos se esquecem de problemas semelhantes em democracias ocidentais ao apontar falhas no Irã.

Sobre a influência da religião, é necessário considerar que a religião tem um papel importante na sociedade iraniana, assim como em muitos outros países. No Brasil, por exemplo, vemos uma crescente influência de grupos religiosos no Estado. O Irã é uma democracia islâmica, onde a maioria da população é muçulmana, mas minorias religiosas como cristãos e judeus desfrutam de liberdade religiosa.

Quanto ao aspecto econômico, o Irã adotou um tipo de socialismo industrial após a Revolução Islâmica de 1979, estatizando muitas indústrias e recursos naturais que estavam nas mãos de uma elite corrupta ligada ao antigo regime. Isso garantiu ao povo maior controle sobre os meios de produção e recursos do país.

É importante entender que o Irã não pode ser simplificado como uma ditadura religiosa e opressiva, mas sim como uma democracia com características sociais e econômicas únicas, que devem ser analisadas dentro de seu contexto histórico e cultural.

"A Ascensão e as Limitações do Progressismo na Política Contemporânea".


 Olá! Tudo começou quando Tony Blair foi eleito primeiro-ministro do Reino Unido pelo partido trabalhista. Junto com Fernando Henrique Cardoso e Bill Clinton, inaugurou a chamada Terceira Via. Essa abordagem política não se alinhava nem à direita nem à esquerda, mas buscava uma nova visão. No entanto, essa "nem direita nem esquerda" gerou uma nova ideologia chamada progressista, focada em questões modernas e identitárias, como defesa da livre expressão, da sexualidade e da tolerância.

Os progressistas buscavam superar a dicotomia esquerda-direita, mas acabaram adotando pautas mais voltadas para grupos minoritários privilegiados, em detrimento das questões trabalhistas e econômicas. Na Europa, surgiram variantes progressistas, como o PSE na Espanha e o partido socialista francês, que abandonaram a luta pelo socialismo em favor de interesses individuais.

Nos Estados Unidos, os progressistas tomaram conta dos Democratas, originando vários movimentos identitários. No final dos anos 2000, os Verdes ganharam poder na Europa, focando em questões ambientais e anti-capitalistas. No entanto, sua abordagem não atacava o cerne do problema, que era o padrão consumista e individualista da sociedade. Ao invés disso, culparam os combustíveis fósseis e promoveram alternativas "verdes", ignorando outras fontes de poluição e impacto ambiental.

Essa ideologia progressista falhou em abordar a verdadeira questão do consumo desenfreado e individualista, preferindo culpar outros países ou promover soluções superficiais.

sábado, 23 de maio de 2020

Luiz Hanns: nao Basta Punir os Malvados

Casa do Saber

Istoe  06/09/2018 - nº 2542


Nos últimos anos, o perfil dos pacientes do psicólogo paulistano Luiz Hanns mudou. No lugar de gente quase que exclusivamente preocupada com as questões do ser, há empresários e executivos angustiados com as constantes solicitações de suborno, a deterioração das perspectivas econômicas e o temor da Justiça. Eles são um sinal dos tempos, no qual as relações entre iniciativa privada e poder público estão sob intenso escrutínio. Doutor em psicologia clínica, palestrante da Casa do Saber e autor de livros sobre casamento e filhos, Hanns acabou enveredando pela psicologia com ênfase na economia comportamental para entender os mecanismos sociais e individuais da corrupção. Suas conclusões sobre o Brasil e os brasileiros soam irrefutáveis e não de todo pessimistas, já que a sociedade discute abertamente a situação em que vivemos e quais caminhos trilhar. Para ele, se houver uma mudança de consciência em todos os níveis, incluindo contra as pequenas malandragens do cotidiano, o País poderá se tornar um lugar melhor para viver.

O senhor estuda os mecanismos da corrupção. O que ocorre hoje no Brasil?

Existem muitos países com dificuldades de superar o subdesenvolvimento. E parte disso deriva da corrupção. Brasil, México, Argentina, Tailândia, Filipinas, Rússia e outros países subdesenvolvidos têm alguns mecanismos em comum, que estudiosos chamam de mecanismo extrativista. Ou seja, empresários, políticos, setores econômicos, corporativos, sindicais ou clãs atuam como grupos de poder, ocupando as instituições, competindo e dividindo o controle entre si para drenar seus recursos. Daí o uso do termo extrativismo. Os pesquisadores do tema são da escola econômica neoinstitucionalista, como o prêmio Nobel de Economia Douglass North [1993] e os autores de “Por Que as Nações Fracassam”, Daron Acemoglu e James Robinson.

O que há em comum nesses lugares?

Nesses países a lei tende a ser arbitrária, há impunidade e favorecimentos. Prevalece o capitalismo de compadrio, no qual o importante é tornar-se amigo do rei, em detrimento de ser inovador ou produtivo. A tendência nesses lugares é de queda na eficiência dos serviços públicos e das empresas privadas. Assim, esses países recorrentemente fracassam. No lugar de um acordo nacional pelo desenvolvimento e um pacto distributivo, há uma expropriação desleal por parte de alguns.

Esse tipo de estrutura tem raiz na impunidade?

Nos países que fracassam, os discursos costumam ser os mesmos: “Só os poderosos se dão bem”, “A lei não é para todos”. Isso resulta em dois comportamentos. Uma parte das pessoas opta por só querer se dar bem e apenas ser leal ao seu grupo. Elas passam a achar legítimo levar vantagens pessoais em detrimento do coletivo. O outro aspecto é o conformismo. Como não existe lei, a tendência é cada um ficar no seu canto para evitar qualquer tipo de retaliação dos poderosos. Essa dupla atitude cultural cria descrença e passividade.


Criar um Brasil mais justo exigiria o quê?

Não basta punir os malvados. Temos que aceitar duras verdades sobre nós mesmos. É preciso combater simultaneamente as várias dimensões da corrupção. Além das leis anticorrupção, é preciso uma campanha moralizadora que pregue ser inaceitável não só a grande corrupção pública, mas também a pequena corrupção privada. No momento, só a luta contra a grande corrupção pública começou e faz parte de uma crescente indignação coletiva.

Existem diferentes corrupções?

Além da corrupção sistêmica, que atinge as instituições, temos mais duas camadas, a endêmica e a sindrômica. Hoje nos indignamos com a corrupção pública grandiosa, mas aceitamos sua face endêmica, que é corromper o guarda rodoviário ou não avisar quando a conta do restaurante vem com itens a menos. Se não combatermos essa pequena corrupção privada, se não houver uma mudança de mentalidade, esse tipo de mal reinfectará o sistema. Se um sujeito pratica tais atos, quando tiver um cargo público ou for comprador numa empresa privada aceitará a corrupção. Ao contrário do que se pensa, essa luta pode ser vencida por meio de intensas campanhas e mobilizações nacionais, desde que meios de comunicação, formadores de opinião e lideres da sociedade civil se convençam de sua importância, algo que ainda não ocorre no Brasil.



Temos movimentos coletivos de rejeição ao racismo, à homofobia e ao feminicídio. […] São bons exemplos de como uma sociedade pode atacar vários problemas de uma vez
Como se manifesta a corrupção sindrômica?

Trata-se de uma síndrome que interliga burocracia com ineficiência produzindo talvez a maior parte da corrupção. No Brasil, tendemos ao burocratismo, uma doença que nos faz criar leis sufocantes, contraditórias e inexequíveis. Além disso, a má gestão leva à ineficiência dos serviços públicos. Isso induz ou até força o cidadão e a empresa a tentarem corromper. Grandes obras de engenharia sofrem tantas dificuldades, que pode não haver como viabilizar um projeto sem fazer acertos por fora. Também temos uma legislação tributária confusa. Aqui se gasta quinze vezes mais em escrituração contábil do que em países avançados. É um inferno que torna a economia lenta e um criadouro de corrupção. O cidadão precisa ir seis ou sete vezes a uma repartição pública em horários inviáveis para aprovar documentos que ninguém mais consegue arranjar. Quando ele aceita o achaque, algumas vezes é até com alívio.

Então qual seria a solução?

Se continuarmos achando que a corrupção é só sistêmica, uma mera questão de caráter, de moral e de leis, vamos passar por mais uma década perdida. Vamos de novo fracassar. Temos de enfrentar simultaneamente as três camadas da corrupção, a sistêmica, a endêmica e a sindrômica. É possível nos organizarmos para tal. Outros países conseguiram.

Isso envolveria uma mudança de consciência?

A solução dependeria de um pacto entre as lideranças civis, envolvendo mídia, associações patronais, sindicatos e, se possível, ao menos alguns setores do Legislativo. Outros países conseguiram se organizar em pactos nacionais. Os Estados Unidos tiveram uma fase heróica de combate à corrupção no início do século 20. A Coreia do Sul também, apesar dos recentes escândalos. Leis foram mudadas para reduzir a impunidade, foi trabalhada a moral pública e criada mais eficiência tecnoburocrática.

Seria preciso criar uma nova moralidade?

Temos no Brasil exemplos de movimentos coletivos de rejeição ao racismo, à homofobia e ao feminicídio que se capilarizam por todos os confins da mídia e do ensino. Isso é mostrado em novelas, filmes, noticiário, programas de rádio, no teatro e acaba discutido nas escolas. Empresas criam programas internos para acabar com esses comportamentos. É dessa forma que surgem consensos nacionais em torno de novos valores. Há bolsões de resistência, mas o legislativo acaba apoiando essas ações. Estes são bons exemplos de como uma sociedade pode atacar vários problemas de uma vez. Poderíamos fazer o mesmo contra a pequena corrupção privada, o burocratismo e a negligência de gestão que leva museus a se incendiarem.

O quando disso é culpa de quem cria as leis?

A burocracia é uma tentativa ineficiente de combater a corrupção mediante a ideia de que se pusermos mais controle e desconfiarmos de todos, evitaremos as fraudes. Nos países burocratizados, quadrilhas se instalam no poder para criar leis que estabelecem dificuldades para que facilidades sejam vendidas. É o que acontece com o legislativo brasileiro. Vários dos deputados que estão presos propunham projetos que tornariam ainda mais sufocante o ambiente de negócios para depois irem aos empresários pedir dinheiro para não passar essa ou aquela lei.

Políticos e agentes públicos são os integrantes mais nefastos dessa cadeia perniciosa?

Não podemos esquecer do capitalismo de compadrio. Então, não se pode dizer que o agente público e o legislador sejam os únicos vilões.

Existiria algum nível tolerável de roubalheira?

Isso varia de lugar para lugar. Em alguns países asiáticos há graus elevados de corrupção, entretanto, outros mecanismos agem para amenizar o problema, fazendo com que a produtividade seja elevada. Alguns desses países possuem grupos hegemônicos que compartilham um projeto nacional de qualidade, investindo na produtividade e na educação. Não há uma relação automática entre corrupção e ineficiência, embora no longo prazo esses fatores tendam a se relacionar, pois afetam a capacidade de gestão e o desenvolvimento. De outro lado, há países que são poucos corruptos e, mesmo assim, não se desenvolvem.



Quadrilhas se instalam no poder para criar leis que estabelecem dificuldades para que facilidades sejam vendidas
Esse problema é historicamente recente?

A corrupção como queixa vem desde a Antiguidade. Há relatos anteriores ao Império Romano sobre cobradores de impostos corruptos. Porém, o advento da democracia, principalmente a partir do século 20, fez com que a qualidade do debate mudasse e se discutisse ética pública.

Grupos econômico devem ser dissolvidos se estiverem envolvidos em falcatruas?

Como vimos na Itália, no auge da Operação Mãos Limpas, havia a sensação de que o país estava parando. Num sistema alimentado por mecanismos viciados, a tendência é de paralisação, pois os agentes econômicos mais relevantes são presos. Depois, ao não mudar a legislação, os grupos anteriores foram apenas substituídos por novos atores. É o que vemos aqui com as empreiteiras. Estamos destruindo grandes empresas, em vez de remover e punir acionistas e controladores. São perdidos milhares de empregos e toda uma cultura de gestão. Muitas dessas grandes fornecedoras estão sendo estão sendo adquiridas por empresas estrangeiras na bacia das almas ou substituídas por empresas médias e pequenas que entram no jogo sem estarem submetidas às regras internas de compliance.

A saída de cena de algumas das grandes empreiteiras mudará o cenário?

Escutamos ainda que tal prefeito ou governador continuam exatamente no mesmo modelo. Só que agora o grande empreiteiro está sob a lupa da lei não tem mais caixa dois para fazer falcatruas. Então, ele é substituído por pequenos ou médios empresários que tomam o risco. Esses podem vir a se tornar grandes empresários até serem denunciados. Continuamos numa situação disfuncional. Temos que parar de nos iludir, pois não é tudo uma questão de impunidade. Precisamos mudar as leis, diminuir a burocracia e investir em gestão pública. Estas três fontes de corrupção não podem se vencidas apenas com um judiciário rigoroso.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

"Vivemos uma onda de psicopatia no país" Contardo Calligaris 15.04.2019




Contardo Calligaris costuma dizer que não deseja uma vida feliz, mas uma vida interessante. Esse autor de livros como Hello, Brasil! e Outros Ensaios e Cartas a um Jovem Terapeuta, o psicanalista e escritor italiano radicado no Brasil será o conferencista de outubro. Entre seu trabalho em consultório e a atuação na arena pública, Calligaris se tornou um dos intelectuais mais influentes em atividade no Brasil.

Na entrevista a seguir, ele explica o que considera a "onda de psicopatia" no país, que para ele não começou agora. Também fala sobre sua visão a respeito dos jovens, o que identifica de benéfico nos aplicativos de paquera e por que julga a psicanálise ainda relevante. E, claro, explica o que entende por "uma vida interessante", ideia que deu luz ao tema do Fronteiras 2019.


Um dos motes do Fronteiras do pensamento neste ano é uma frase que o senhor costuma dizer: "Não quero ser feliz, quero ter uma vida interessante". O que é uma vida interessante? E seria possível ter as duas coisas?

Contardo Calligaris: É possível estar alegre e de bom humor tendo uma vida interessante? Talvez não em todos os momentos, porque uma vida interessante é uma vida que se permite viver intensamente até as coisas dolorosas e desagradáveis.

Quando perguntam como eu gostaria de morrer, respondo que fazendo a experiência da minha morte. Gostaria que alguém fizesse comigo os cuidados paliativos, ou seja, me deixasse sem dor, mas perfeitamente acordado para eu me sentir morrendo. Isso é viver de uma maneira interessante, inclusive o momento da morte. Duvido que, a essa altura (na morte), alguém esteja feliz e alegre. Então, não sei se essas duas coisas, a felicidade e uma vida interessante, vão juntas.

Ter a felicidade como propósito, do tipo "o que eu quero na vida é ser feliz", é a garantia de que você vai ter uma vida medíocre. Por uma razão simples. Dito com uma linguagem um pouco elevada, uma vida interessante é uma vida na imanência, não na transcendência.

Ou seja, se o que você espera da sua vida é estar na transcendência, seja ela humana ou divina, se você vive na esperança do amanhã, se vive na esperança de ganhar na loteria, na esperança de ser recompensado depois da morte no além ou, ainda, na esperança de que sua vida de adolescente finalmente começará quando passar no vestibular, bom, essa vida não vai ser interessante.

A esperança de ser feliz também é uma forma de transcendência. A única vida interessante é a vida que acontece aqui e agora. Não precisa ser épico, não precisa ser extraordinário, não precisa nada. Precisa da presença efetiva de quem está vivendo.

O que faz a diferença é estar no momento. O momento pode ser o pãozinho com manteiga e café na padaria da esquina, pode ser escutar um paciente, ler um livro ou ver um seriado na TV. O importante é estar naquilo, e não na espera do que virá depois.

Conceitos idealizados, como felicidade ou amor perfeito e cara-metade, acabam nos atrapalhando?

Contardo Calligaris: Sem dúvida. Todas as formas de idealização, sobretudo de idealização antecipatória, nos atrapalham. Poucas horas atrás, tive uma sessão com uma paciente que estava com muito medo de estar se apaixonando por alguém porque isso eventualmente não daria certo e terminaria. Eu lhe fiz notar que essa é a estrutura da vida. Como ela está segura de que vai morrer (algum dia), então não deveria perder tempo vivendo?

Realmente, a nossa relação com a idealização é dessa ordem. Ela alimenta medos, como o medo de viver alguma coisa que não dure. Não sei de onde veio essa ideia maluca de que a duração seria a garantia de qualquer coisa. Há relações que duram dois dias e são mais importantes e marcantes do que casamentos de 15 anos. É engraçado, porque não são ideias antigas.

Quando os clássicos, os romanos e gregos, falam sobre o que nós traduzimos como "felicidade", aquilo tem um sentido muito diferente do nosso. Estão falando de uma certa sabedoria no uso, na administração de prazeres, afetos, amizades e amores. Não estão idealizando da mesma maneira que nós. Isso começou com a ideia do amor romântico, 200 anos atrás, e vai andando nessa direção.

Às vezes, as pessoas falam coisas como: "Tive um relacionamento de 10 anos, mas não deu certo". Então, podemos pensar que deu certo durante 10 anos.

Contardo Calligaris: Se foi bom durante 10 anos, é um recorde (risos).

O massacre da escola de Suzano chocou os brasileiros. Como se analisa a motivação desse tipo de crime, que estávamos vendo com mais frequência nos EUA?

Contardo Calligaris: Mais ou menos, porque no Brasil também acontece. Realengo (o massacre de Realengo, no Rio) existiu. Foi há oito anos. Certamente nos EUA são mais frequentes, até porque os incidentes que realmente chegam ao noticiário internacional são aqueles com pelo menos sete ou oito mortos. Se o cara tenta matar e fere dois, aquilo nem chega aos jornais brasileiros. Mas é frequente nos jornais americanos. Ao mesmo tempo, o Brasil de fato é atravessado por uma onda de – vou medir minhas palavras – psicopatia que é surpreendente mesmo para os padrões americanos.

O que é essa onda de psicopatia?

Contardo Calligaris: É a possibilidade de desconsiderar completamente a vida do outro. Um dos sinais evidentes de psicopatia é quando alguém, na adolescência, começa a massacrar pequenos animais, domésticos ou não, e a torturá-los com indiferença. O fato de que lhe falte uma dimensão de empatia com um ser vivo, mesmo que seja um inseto, ainda mais se for mamífero, é um péssimo sinal para o futuro.

Veja a facilidade com a qual os nossos criminosos são capazes de botar fogo numa roda ao redor da cabeça de um repórter da Globo que subiu o morro, a facilidade com a qual alguém é ameaçado de morte, a facilidade com a qual alguém faz o elogio público do grande chefe da tortura durante a ditadura, a facilidade com que alguém deseja a morte de um oponente político por câncer, por exemplo. São sinais de psicopatia. Ela não está só nos homens políticos mais em vista do país. Está nas redes sociais, no cotidiano, no crime organizado, mas também no crime desorganizado.

Pense na facilidade com que eu te mato mesmo se você me entrega o celular que eu pedi – e isso não vai me impedir de dormir. É uma onda de psicopatia realmente especial. Acho que deveríamos levar isso em conta como uma especificidade brasileira. A única coisa, aliás, que me faz ser a favor da reforma da lei do desarmamento é que, se realmente o país for psicopata, e declaradamente as relações nesse país forem psicopatas, eu quero me armar. Porque realmente não tem outra saída.

O senhor é a favor do direito de a população andar armada?

Contardo Calligaris: Não. Sou a favor de viver em um lugar onde não tenha arma nenhuma e ninguém mate ninguém. Ou então em um lugar onde tenha uma enorme quantidade de armas, como a Suíça, mas ninguém anda armado, e o número de assassinatos é extremamente modesto. Sou a favor disso.

Quero dizer que, se eu vivo em um mundo habitado por psicopatas, que matam e podem desejar a minha morte, e mesmo promovê-la impunemente sem ter nenhuma barreira moral interna ao fazer isso, aí eu quero andar armado, porque senão vou ser morto no primeiro dia.

O que ocorre quando alguém vive na transcendência, ou seja, sempre esperando que sua vida comece no amanhã?

Contardo Calligaris: A transcendência pode ser qualquer coisa – Deus, o além, a espera do amanhã, o sol do futuro, a primavera do socialismo. Quando você coloca o foco de sua vida na transcendência, torna-se perigoso para você mesmo e para todos os outros. Essa história que parece tão benigna de "eu só quero ser feliz" na verdade é uma careta inquietante, porque é algo que promete qualquer coisa que farei para que isso se realize.

No fundo, é a marca de que somos incapazes de viver em um instante. Como somos incapazes de aproveitar a vida que temos quando ela acontece, nos tornamos perigosos para os outros e para nós mesmos.

De que forma?
Contardo Calligaris: Um traço importante da psicopatia é a erotização da morte. Quando vivemos a ideia de que o que importa será o amanhã, o que geralmente acontece é que começamos a dar à morte um valor extraordinário, como se fosse um momento no qual eu realmente viverei epicamente a minha vida.

Não tem uma música fascista ou nazista que não faça alusão à morte como uma coisa boa ou maravilhosa. E a erotização da morte atravessa todos os últimos 70, 80 ou cem anos, é só fazer uma lista de todos os grupos que se tatuam com caveiras, por exemplo, como se isso fosse a marca de uma especial autenticidade ou glória, como se a morte fosse uma coisa que nos desse dignidade. Isso não passou.

É a marca do fascismo, porque o fascismo precisou tornar a morte erótica para poder mandar milhões de pessoas para a morte voluntariamente, e conseguiu. Mas essa ideia é tremendamente presente nos jovens.

É um plano homicida, mas também suicida. Do tipo: "Não vou conseguir ser nada do que gostaria. Não vou ser um herói de um game de tiro; não vou me parecer com nenhuma das personagens de novela ou seriado que vejo, mas vou encarnar a morte para os outros e eu mesmo vou go down in flames ("arder em chamas")". Essa erótica da morte, que aparece na caveira na cara de um dos atiradores (de Suzano, que postou uma foto com uma máscara de caveira), deve ser considerada importante.

Essa questão tem a ver com o tema da sua conferência no Fronteiras do Pensamento em outubro?

Contardo Calligaris: Não vou antecipar muito, mas vou usar essa fala para ter um discurso polêmico para mostrar que não vale a pena a gente acusar a idealização da propaganda, a idealização pela nossa ficção ou a idealização romântica do amor. Tudo isso é verdade, mas a doença, essa doença cujos fenômenos nós vemos se multiplicando agora, está na raiz da nossa cultura.

Da cultura brasileira?
Contardo Calligaris: Não. Da nossa cultura ocidental. A psicopatia brasileira é uma consequência. É certamente mais brasileira do que europeia, e existe também nos EUA. Mas os americanos encontraram uma solução. Poderiam ser um país totalmente psicopata, só que acabaram dando uma dignidade e uma força de presença ao braço armado da lei que impõe condições quase morais de existência.

A polícia nos EUA não se confunde mais com o crime. Já aconteceu no passado, mas não se confunde mais. Se você está no Rio de Janeiro, vai ver que se confunde. Está difícil distinguir as duas coisas.

Dizem que a histeria foi a doença do século 19, e a depressão, a do século 20. Caso o senhor concorde com essa premissa, qual é a doença do século 21?

Contardo Calligaris: Concordo em parte com a premissa. Não concordo muito com a ideia de que a depressão foi a grande doença do século 20. Tornou-se a grande doença do século 20 porque, a partir do fim do século, em 1990, os antidepressivos fizeram uma grana federal. Então, era necessário que houvesse muitos deprimidos para que aquilo tivesse função. Os laboratórios ficaram muito felizes. Mas se eu tivesse que falar de doença do século 21, estaria em algum lugar entre a perversão e a psicopatia.



Sobre a psicopatia o senhor já comentou. Por que a perversão?

Contardo Calligaris: A perversão, do meu ponto de vista, não tem nada a ver com o que chamamos genérica e impropriamente de perversões sexuais. A perversão é uma doença de grupo. Opera quando você desiste dos seus anseios, freios e limites individuais e passa a fazer parte de um grupo para o qual você delega todas as suas preocupações morais.

Então, ninguém é perverso, as pessoas se tornam perversas no grupo. Se você lembra ou leu sobre o incêndio do índio Galdino, em Brasília, há mais de 20 anos (em 1997, quando o índio Galdino Jesus dos Santos morreu queimado por cinco jovens), nenhum daqueles guris individualmente teria feito uma cagada dessas. Agora, foi suficiente que fossem cinco para poder fazer isso e achar divertidíssimo. Essa é a perversão.

A perversão não é tanto o fato de colocar fogo em um índio, é o fato de entrar em um grupo, mesmo que seja temporário ou de cinco pessoas... Pouco importa que sejam cinco amigos ou o Partido Nacional-Socialista, não faz diferença. É entrar em um grupo que te permita esquecer os freios morais básicos.

Há um velho chavão de que os jovens são o futuro do Brasil. Talvez tenha a ver com aquela ideia de transcendência que o senhor criticou. qual é a probabilidade de os jovens transformarem alguma coisa no futuro?

Contardo Calligaris: Faz 15 anos que atendo só no Brasil, então não teria sentido comparar com os jovens americanos e ainda menos com os europeus. Mas continuo com a mesma crítica. Vejo os jovens de hoje desejando pequeno. A mãe de um dos dois atiradores de Suzano, que é uma mulher pobre e provavelmente se sacrificou para que o filho tivesse o que queria, disse: "Não entendo. Ele tinha tudo que queria". (A declaração literal foi: "Ele tinha internet, TV a cabo, tinha tudo. E o bobão faz isso?".)

Achei essa frase tão tocante porque poderia ser dita em condições análogas por muitas mães. É como se a gente estivesse sempre no primeiro ano de vida: quando o bebê chora, seja porque não está gostando do sol ou porque o barulho é muito alto, a única coisa que lhe é dada em resposta é comida. Mas é engraçado como esse modelo de alguma forma continua na relação entre pais e filhos. Como somos todos, e não só essa mulher, relativamente surdos ao que as crianças pedem e sempre lhe devolvemos algo que no fundo nunca é tudo o que eles queriam, e às vezes não tem nada a ver com o que queriam.

Respondendo à pergunta: não sou otimista sobre o futuro do Brasil, pelo menos não a partir dos jovens que eu vejo em geral. Acho que eles são mal-educados, e não no sentido de não saberem usar a faca na mão direita, isso seria o de menos, mas no sentido de que não aprendem o suficiente na escola. Acho que têm pouco gosto pelo esforço de se formar, crescer e trabalhar. Não sou otimista.

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Seria porque os jovens, pelo menos os de classe média, têm uma situação muito mais confortável do que tiveram seus pais? Os pais sabem como é difícil construir uma vida e querem poupar os filhos disso tudo?

Contardo Calligaris: Sim. Grande parte das classes médias começou a querer facilitar a vida dos filhos além da conta. Os pais da classe média paulistana, e suponho que não seja diferente de Porto Alegre, ficam horrorizados se o professor supõe que os alunos estudem em casa duas ou três horas por dia. São capazes de telefonar para a escola indignados porque as crianças vão cansar. Não vão poder sair para a rua e se divertir? Eles têm uma relação doentia quando o esforço aparece primeiro. Os pais não querem que os filhos se esforcem. Agora, claro, há algumas exceções.

A falta de ambição dos jovens seria, nesse caso, reflexo da falta de ambição dos pais?

Contardo Calligaris: Sim, claro.

Boa parte da sociedade brasileira está endividada e trabalha contra a máquina. Tirando a parte mais pobre da população, que tem pouca margem, esse problema de poupança do brasileiro teria a ver com a dificuldade em adiar o prazer, ou seja, a necessidade de consumir bens imediatamente e não economizar?

Contardo Calligaris: Sem dúvida tem isso, mas essa não é só uma questão brasileira. A especificidade do Brasil é que se trata de um lugar onde não há crédito – há usura. É diferente. Nossos amigos banqueiros vão tentar me convencer de todas as maneiras possíveis do contrário, mas não existe um nível de inadimplência que justifique esse juro ao consumo ou ao crédito pessoal no Brasil.

Faça uma experiência. Coloque, sei lá, R$ 50 mil de investimento em um fundo do seu banco. Daí, pergunte ao banco se pode dar esse fundo na garantia de um empréstimo do mesmo valor. Você não vai poder tocar nesse dinheiro, que é seu, mas fica nas mãos do banco, até você ter pago o empréstimo. Essa operação, em qualquer lugar do mundo, tem um juro ridículo, porque a garantia é absoluta. No Brasil, não. Tem um juro abusivo. Então, o problema no Brasil é que as pessoas que consomem dessa maneira são vítimas de um assalto.

A vigilância e o julgamento que vemos nas redes sociais se refletem em angústias no consultório?

Contardo Calligaris: Um pouco, mas menos do que eu imaginaria, e talvez menos do que alguns anos atrás. Ouço muito menos os meus pacientes falarem do Facebook deles do que alguns anos atrás. Claro que foi um tempo extraordinário que ainda pode ser analisado como o momento em que todo mundo criou um ou vários avatares, e isso se tornou um tremendo trabalho da imaginação de cada um. Digo avatar no sentido de ser aquela figura que você quer mostrar aos outros. Aquilo teve um efeito tremendo sobre a vida de cada um.

Ainda lembro de crianças nos anos 1980 ou 1990, no começo dos jogos de RPG. Quando o avatar de um menino morria em um RPG, aquilo era considerado quase um risco de suicídio do ponto de vista clínico. Era importante ficar de olho no menino, recomendação da própria American Psychological Association. Mas acho que esse tempo passou.

Estou vendo um efeito, por outro lado, interessantíssimo, extremamente positivo das redes sociais. Um número de pacientes, sobretudo mulheres, hoje acessam diariamente o Tinder e têm encontros amorosos que podem se transformar em outra coisa, temporária ou não, graças aos aplicativos de paquera. Isso acho altamente positivo. Pense em uma mulher separada há sete anos, sozinha, sem conhecer ninguém, à mercê das amigas que quem sabe lhe apresentarão um amigo do marido, que geralmente é alguém que sobrou no mundo. Ela pode entrar em um aplicativo, sair hoje à noite e transar. Não necessariamente vai ser a transa do século, e às vezes até é. Isso eu acho que foi uma melhora significativa.

Fazendo uma provocação: a psicanálise ainda é relevante hoje porque é uma boa visão de mundo ou porque é uma boa ciência?

Contardo Calligaris: (Risos.) Acho que é um bom dispositivo. Não é nem uma visão de mundo, nem propriamente uma ciência. É um bom dispositivo, que tem mais ou menos 3 mil anos. Esse dispositivo da cultura ocidental, que provavelmente acontece também em culturas orientais, é que precisamos de alguém que não seja nem um amigo, nem um parente, para quem possamos falar de nós na esperança de que esse alguém nos diga algo no que nós dissemos que nós mesmos não escutamos.

Esse dispositivo tem 3 mil anos. Passou por uma série de figuras que vão desde o confessor até o conselheiro espiritual, até o "amigo" do bar – amigo entre aspas, porque justamente é melhor que não seja um amigo. É possível que um dia a psicanálise mude de nome, mude também alguns dos fortes teóricos nos quais se baseia. Agora, o dispositivo acho que vai durar.

Como o senhor analisa a psique do presidente Jair Bolsonaro?

Contardo Calligaris: (Risos.) Adoraria se ele viesse me ver, talvez eu pudesse analisá-lo. Nesse caso, infelizmente, não diria absolutamente nada para você... Não tenho elementos para me aventurar a fazer isso. Ele realmente me desconcerta. A única coisa em que às vezes eu penso é que sua vitória foi para ele mesmo inesperada. O que acho mais surpreendente, mas também deve ser um campo de enorme dificuldade para ele, é a relação com esses três filhos, que me assustam um pouco.

Me assustam sobretudo porque normalmente acho que a família não foi criada para ser um lugar em que todos concordam com todos. Ao contrário, a família, como cada um sabe, foi inventada para ser um lugar em que todo mundo discorda. Por isso, ela eventualmente é interessante e educativa. Quando vejo essa família, não são todos, mas pelo menos os três irmãos parecem uma espécie de coalizão partidária ao redor do pai. Isso me assusta. Mas não vou me ave
nturar a analisá-lo.

https://www.youtube.com/watch?v=MAWGWMCHcd4#action=share

sábado, 22 de fevereiro de 2020

O CONSUMISMO NA VOZ DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

O vazio interior preenchido por um exterior passageiro".

Em minha calça está grudado um nome  que não é meu de batismo ou de cartório,  um nome... estranho.  Meu blusão traz lembrete de bebida  que jamais pus na boca, nesta vida. Em minha camiseta, a marca de cigarro  que não fumo, até hoje não fumei.  Minhas meias falam de produto  que nunca experimentei  mas são comunicados a meus pés.  Meu tênis é proclama colorido  de alguma coisa não provada  por este provador de longa idade.  Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,  minha gravata e cinto e escova e pente,  meu copo, minha xícara,  minha toalha de banho e sabonete,  meu isso, meu aquilo,  desde a cabeça ao bico dos sapatos,  são mensagens,  letras falantes,  gritos visuais,  ordens de uso, abuso, reincidência,  costume, hábito, premência,  indispensabilidade,  e fazem de mim homem-anúncio itinerante,  escravo da matéria anunciada.  Estou, estou na moda.  É duro andar na moda, ainda que a moda  seja negar minha identidade,  trocá-la por mil, açambarcando  todas as marcas registradas,  todos os logotipos do mercado.  Com que inocência demito-me de ser  eu que antes era e me sabia  tão diverso de outros, tão mim mesmo,  ser pensante, sentinte e solidário  com outros seres diversos e conscientes  de sua humana, invencível condição.  Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro,  em língua nacional ou em qualquer língua  (qualquer, principalmente).  E nisto me comparo, tiro glória  de minha anulação.  Não sou - vê lá - anúncio contratado.  Eu é que mimosamente pago  para anunciar, para vender  em bares festas praias pérgulas piscinas,  e bem à vista exibo esta etiqueta  global no corpo que desiste  de ser veste e sandália de uma essência  tão viva, independente,  que moda ou suborno algum a compromete.  Onde terei jogado fora  meu gosto e capacidade de escolher,  minhas idiossincrasias tão pessoais,  tão minhas que no rosto se espelhavam  e cada gesto, cada olhar  cada vinco da roupa  sou gravado de forma universal,  saio da estamparia, não de casa,  da vitrine me tiram, recolocam,  objeto pulsante mas objeto  que se oferece como signo de outros  objetos estáticos, tarifados.  Por me ostentar assim, tão orgulhoso  de ser não eu, mas artigo industrial,  peço que meu nome retifiquem.  Já não me convém o título de homem.  Meu nome novo é coisa.  Eu sou a coisa, coisamente. Carlos Drummond de AndradeImage result for consumismo

3 Posturas Filosoficas e meia ;-)

Hobbes..O homem e o Lobo do Homem....postura pessimista..Leviata
Rousseau , postura otimista ..homem e bom em sua essencia..Emir..e Contrato Social
Lock , postura realista que diz que somos nem bom..nem mal..Tabula rasa
Talvez o que mais nos explica seria a perfectibilidade: é um neologismo criado por Rousseau para exprimir a capacidade que o homem possui de aperfeiçoar-se...ou seja...somos um horror..egoistas mas podemos melhorar

domingo, 22 de julho de 2018

Daniel Mundukuru : visao sobre o Brasil

" Eu tenho uma visao sobre o Brasil que e muito particular, eu acho que o Brasil ainda nao se descobriu enquanto potencialidade. Ainda vive esta visao do futuro, o pais do futuro e por conta disto nao olha muito para si proprio, nao olha para sua historia, de como foi criado. Normalmente o brasileiro medio olha para frente , tentando conquistar o que outros povos conquistaram em termos de desenvolvimento , mas esquece de olara para dentro de si e esquece de olhar para a riqueza que tempos ..por conta desta almagama de ancestralidade que temos. Portanto enquanto nao tivessemos claro esta ideai de somos um pais diferente de todo o resto do mundo e temos que nos aporveitar para construir de fato uma sociedade nova e espelho para o mundo ..vamos continuar com este complexo de inferioridade.. "

"Devemos desenvolver ideia de pertecer..pertecer a este lugar e assim tomar conta deste lugar "

"Interesante ouvir as pessoas dizerem que vao buscar no oriente uma sabedoria milenar e nao leva em conta a tradicao indigena. Muitas vezes, estes saberes foram riubados e devolvidos postriormente a nos como produtos. "

"O que e sabedoria indigena se torna folclore..coisa de gente atrasada ..fica perdida e congelada "

"Palavra INDIO desqualifica a gente e nao qualifica pois e um termo dado a nos"...pois ela nao diz o que a gente e e sim como as pessoas pensam que somos: atrasados, pregucisis, selvagens....faz com que a gente nascido em uma cultura ancestral se sinta ofendido.."

"Tem que conhecer o pensamento do outro para falar sobre o outro "

domingo, 25 de março de 2018

Eva Mitocondria e um Zombie Apocaliptico

Vale Rift in Etiopia uma descoberta serviu como prova cabal de que todas as familias de nossa especie tem origem in Africa.

Muitos apresentam uma resistencia a isto, africanos sao percebidos , por alguns< como uma sub especie. Este pensamento..fundado em areia movedica teve origem..no Iluminismo..acredite or not.
Eram vistos como primitvos..agora imgine um cranio que data 200 mil anos..o mais antigo Homo Sapiens remains..chanado Idaiutu..in 1997..engola essa quem tem prconceito contra melanina.

Todas as evolucoes de nossa especie ocorreram na Africa..pequenos grupos de Homo Sapiens andavam por Etiopia ate Malaui enquanto Europa estava cheia de Neandertais..especie completamente diferente de nossa.

Agora..eu imagino que andar em um mundo..onde voce esta quase no rodape da cadeia alimentar nao era facil..Imagino um spin off Do show The Walking Dead 😉. Grupos de carnivoros por todos os lados..e com medo de encontrar outros grupos

Todos compartilhamos um mesmo DNA..chamdo Eva Mitoncondria..passado atraves do lado materno. Todos temos origens na Africa..

Ha 80 mil anos..todos eramos negros.
1991 na Africa do Sul,em uma caverna de Blombs foi discorto pinturas em suas paredes..portanto as primeiras pinturas  rupresteds nao sao na Franca..pois estas datam 35 mil..mas as da Africa do Sul vao mais longe. Portanto podemos verificar que estes grupos de pessoas haviam superado a necessidade imediata de se alimentar e estavam se expressando atraves da arte..

Interessante pensar quais seriam nossos vestigios em milhares de anos a frente.


Nossa historia teve origem no continente Africano ..la esta a fonte do mundo: musica, artes, escrita ( ao mesmo tempo que Mesopotamia), agricultura. Ferro teve origem por la e nao em Turquia. 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Adoro Dezembro..um mes super pagao:-)

É 25 de dezembro!!!Por que adoro esta epoca do ano?? Adoro festas pagas e tem periodo mais pagao que este??
Hoje celebramos solstício de inverno ? a partir de hoje..no hemisferio norte, as noites seriam cada vez mais curtas e os dias, mais duradouros. Breve, chegara o verão novamente e os dias frios de escassez, tidos como obra de bruxas e espíritos ruins, ficariam para trás. Qualquer semelhança da Festa do Sol Invicto com o Natal religioso não é mera coincidência.

As celebrações em torno do Sol eram praticadas já muito antes que o cristianismo fosse a religião dominante. Até então, as festas mais importantes dos cristãos se davam em torno do martírio e da morte de Jesus. O cristianismo crescia em Roma um tanto à parte dessa coisa toda. Até que, no século 3, percebeu a importância das festas dos solstícios ? de inverno e de verão – para os romanos e o quão difícil seria proibi-las à revelia.
Agora eu nao sei que enganou quem..se os pagoes enganaram os cristaos ..ou se foi o contario..

Montar PINHEIRINHO....amoooo de paixao..O pinheiro não foi escolhido à revelia para ocupar um dos postos de maior destaque das festividades de fim de ano. Sua presença vem desde os tempos em que a festa era pagã: acreditava-se que, como ele permanecia verde mesmo durante os mais rigorosos dias de inverno, seria imune a bruxas e espíritos ruins, supostamente os culpados pelo desaparecimento temporário do Sol. Assim, supuseram que pendurar galhos de pinheiros nas portas e janelas seria o suficiente para manter bem longe todo tipo de ruindade trazida por eles. Já no norte da Europa, na época em que os celtas se espalharam pelo continente, dois milênios antes de Cristo, os templos dos conselheiros (os druídas) eram decorados com pinheiros como símbolo da vida eterna.
CEIA...nada melhor que a festa do dia 25 de dezembro para fazer uma homenagem ao Sol e o banquete à meia-noite, oferecido ao deus da agricultura para que a colheita fosse próspera no verão que aproximava.

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I love this period of the year. I love reading about mythology and its symbols and festivities and this month is all about.
I love putting up my tree and celebrate the eternal life just like ancient Egyptians, Chinese, and Hebrews used to do it . Tree worship was common among the pagan Europeans and survived their conversion to Christianity. They used to workship trees and also it was a Scandinavian customs of decorating the house and barn with evergreens at the New Year to scare away the bad spirtis.
And tomorrow my favorite pagan holiday..well it just happens that the Romans had a big solistice festival called Saturnalia was a big solstice festival which was a week long celebration, culminating in the Birthday of the Unconquerable Sun, on December 25. Saturnalia was a very popular festival amongst the Romans, and involved gift-giving. They are a blessing for people to make them feel good as the year ends. Dont you think??
So I wish everybody a happy pagan holidays!!!

domingo, 20 de novembro de 2016

Uma palavrinha (ou varias) sobre o preconceito

Preconceito e mundial. Possui varias vertentes pois temos preconceito contra cromossomo XX, melanina, etnico, orientacao sexual, adiposidade, poder de compra, intelectual, puxa sao tantos.

Quando o sentimos na pele paramos para analizar melhor. Uma mulher com menos producao de malanina nascida em uma familia com um excelente poder de compra, graduada em uma universidade altamente conceituada que vai para os EUA gente o preconceito por ser latina, brasileira e mulher. Um esteriotipo se apresenta em forma de sexo facil para conquista de green card, sensualidade exarcebada. Ela sera obrigada a esquecer a experiencia de vida como pessoa com privilegios e enfrentar o preconceito.

Todos somos preconceituosos em maior ou menor escala, e o objetivo seria caminhar para a evolucao e se livrar de todos eles.
Preste atencao quando voce inicia a frase "eu nao tenho preconceito contra"e no meio da fala coloca "mas".
Vamos fazer um exercicio. Vamos imaginar um mundo inverso. Neste mundo tudo feito pelos negros seria sennsacional, lindo, inteligente, maravilhoso, valorizado. Todas as referencias historicas fosse apenas com negros, inventores, revolucionarios,  rainhas e Reis princesas negros. Quando as criancas ligam a Tv , os personagens infantis fossem todos negros. Os papeis em novelas, maioria negra e a imagem da mulher branca seria sempre retratada como empregada domestica ou a amante que destruiu o casamento dos homens ricos negros. Os homens brancos traficantes, criminosos,marginais. Toda referencia sobre os brancos seria informada em duas paginas pelos livros de historia dizendo que eles foram escravos. Livros escrito por negros. Todas as referencias religiososas seriam negras. Um deus negro..Jesus teria a pele negra. Como seria este mundo?
Lembre se que Fundamentalismo e uma invencao USA e nao Islamica,  que significa leitura literal da biblia.

Precisamos desconstruir este mundo e reinventar um mais justo.

sábado, 19 de novembro de 2016

Preconceito a melanina

Alexandra Loras e uma pessoa que me da prazer ouvir. Nao apenas pelo sotaque maravilhoso . suas ideas e colocacoes sao sempre interessantes. Aborda o preconceito a pele de forma bem centrada. Compara negros brasileiros e franceses ( acha que existe uma sintonia pela forma com que estima foi massacrada) ao negro dos EUA. Este ultimo possui mais poder economico, na midia, maior representatividade e assim cresce com muitas referencias. Ate os anos 60, negros nao tinham acesso a muitos lugares. Apesar de apenas 13% da populacao ser negra em 40 anos houveram muitas conquistas dando a impressao desta porcentagem chegar a 75% . No Brasil onde 57% da populacao e negra ( que se trata como minoria), voce nao percebe as mesmas conquistas, na Tv vemos apenas 4%. Qunado um negro e morto por policial nos EUA, ito repercute mundialmente, aqui, onde a cada 23 min um negro e morto, nao se fala nem se escuta. Uma mensagem subliminar que bandido bom e bandido morto, como a melanina se faz presente em nosso sistema carcerario, negro bom seria negro morto. Isto torna o Brasil, o pais mais racista do mundo. Segundo pais com maior populacao negra e estes sem representacao em varios segmentos sociais. Nemnum desenho animado com protagonista negro, nas novelas e filmes apenas uma gotinha de representacao. Liderancas nem se fala..Precisamos mudar a narrativa que inferioriza um ser humano levando- se em conta sua producao de melanina.

Apenas 2% de populacao com menos melanina e olhos azuis no mundo. As pessoas nao se dao conta de quanto e prejudicial as narrativas que tentam sabotar uma forma de trabalhar este problema. Por exemplo , achar que devemos ter o dia da cosnciencia humana e nao apenas negra, ou dizer que cotas irao manter o problemas, e ainda a maxima de se contar um evento de superacao e usar como a regra e nao a exceccao.

O conceito de Racas Humanas e toxico, vazio e perigoso, entretanto esta ficando cada vez mais obsoleto( felizmente). Vazio pois sabemos que "racas humanas"nao existem como entidades biologicas. Existem diferentes etnias. Perigoso, pois o conceito de "raca"tem sido usado para justificar discriminacao, exploracao e tantas outras atrocidades.
Os gregos introduziram um conceito de numero aureo, se voce divide altura e comprimento de qualquer forma de vida voce chega a raiz de 5 mais 1 sobre 2 : numero aureo. Em 53, Uma das duplas de cientistas mais importantes da era moderna fizeram a analise da dupla helice do DNA e provaram que nao importa se voce e negro, branco, judeu, indio, todos crescem na mesma proporcao de um numero aureo. Somos igual na essencia. Nao existe raca e sim etnias.

Desde segunda Guerra Mundial estudos que promoviam um debate sobre idea de raca na biologia e ciencias socias foram promovidos. Recentes pesquisas geneticas colocam por terra uma nocao de dividir nossa especie em racas. Nossa consittuicao genetica e semelhante o suficiente para que uma pequena porcentagem de genes(geralmente ligados a adaptacao do individuo aos diferentes meio ambientes) que se distinguem nao justifique a classificacao em racas. No Brasil, a cor, como socialmente percebida, tem pouca relevancia biologica, pois cada brasileiro tem uma proporcao individual unica de ancestralidade amerindia, europeia e africana. O conceito de raca e social e nao biologico. Precisamos descontextualizar esse processo cientifco do cenario historico que os esta produzindo.

A discussao e muito pertinente em um momento em que acoes afirmativas baseadas em conceitos raciais, como leis de cotas, surgem para tentar corrgir problemas sociais relacionados ao erroneo conceito de raca, que justificou um periodo de escravidao legal.